A Cidade Universitária da UFRJ recebeu nesta terça-feira, 17 de novembro, o príncipe herdeiro da Noruega, Haakon Magnus. O príncipe assistiu a uma demonstração do robô Doris, desenvolvido por pesquisadores da Coppe/UFRJ, com financiamento da empresa norueguesa Statoil e da Petrobras. A apresentação foi feita no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes).
O robô - desenvolvido sob a coordenação do professor do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe, Ramon Costa, e do professor Pål Johan From, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) - é capaz de captar e analisar audio, video e imagens térmicas, com processamento inteligente para diagnósticos e alarmes. Doris é um robô teleoperado, que se movimenta por trilhos, capaz de inspecionar áreas de estrutura complexa e pouco acessíveis em instalações offshore. Doris foi desenvolvido de modo a poder ser instalado em plataformas que já se encontram em operação, sem necessidade de reprojetar as instalações existentes.
Watanabe e ministro no Maglev
O príncipe foi acompanhado pelo vice-ministro de Petróleo e Energia, Kjell-Børge Freiberg e pelo vice-ministro de Educação e Pesquisa, Bjørn Haugstad, que seguiu para a Coppe, onde foi apresentado a algumas das tecnologias mais inovadoras da instituição, como o trem de levitação magnética, Maglev-Cobra e o ônibus a hidrogênio (H2+2), a bordo do qual foi conduzido ao Parque Tecnológico da UFRJ e visitou o LabOceano.
Haugstad destacou que parcerias de longo prazo são fundamentais para a geração de inovação tecnológica e que o objetivo da cooperação entre instituições norueguesas e brasileiras é gerar uma relação duradoura. "Estamos ansiosos para vermos novas parcerias serem estabelecidas entre nós", enfatizou o vice-ministro, antes da apresentação do robô Doris, feita pelos professores Ramon Costa e Pål Johan From.
Doris faz parte de uma geração de robôs autônomos desenvolvidos em dois laboratórios da Coppe: o Laboratório de Controle e Automação (LCA) e o Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD). O robô será instalado em plataformas de petróleo e ambientes complexos, que exigem monitoramento e inspeções frequentes para evitar acidentes e perdas de produção. Sua câmera de vídeo e sensores de temperatura e de som são conectados ao centro de comando da plataforma. Dessa forma, qualquer anormalidade - como vazamento de gás, fogo, equipamentos quebrados - é imediatamente detectada pelos operadores.
Parceria de longo prazo

Em seguida, Haugstad e parte da comitiva norueguesa seguiram ao auditório da Coppe, onde foram recepcionados pelo diretor, professor Edson Watanabe, conheceram o Maglev-Cobra, trem de levitação magnética desenvolvido pela Coppe, e participaram de um mini-seminário sobre a cooperação brasileiro-norueguesa em Educação superior e pesquisa.
O vice-ministro avaliou que o cenário internacional está cada vez mais competitivo, e isso reforça a necessidade de maiores investimentos em pesquisa e inovação. "Muitas descobertas interessantes têm sido feitas fora da Europa e Estados Unidos. Sobretudo, no Brasil", reconheceu.
Vice-ministro Haugstad
Haugstad afirmou que gostaria de ver mais alunos brasileiros na Noruega, bem como estudantes noruegueses nas universidades brasileiras, e informou que o Conselho de Pesquisa da Noruega financia parcerias internacionais, baseadas em ensino superior e inovação. "Haverá verba para novas parcerias em 2016, então estejam preparados", exortou.
"Parcerias de longo prazo são fundamentais para o processo de inovação. Todas as instituições de pesquisa norueguesas estão interessadas em manter ou ampliar sua colaboração com o Brasil, e pelo que vimos vocês estão fazendo um ótimo trabalho", afirmou o vice-ministro.
Desafios globais, como a segurança alimentar e as mudanças climáticas, preocupam o governo norueguês, segundo o diretor executivo da Divisão de Energia, Recursos e Meio-Ambiente do Conselho de Pesquisa da Noruega, Fridtjof Fossum Unander.
Unander explicou as atribuições do Conselho: financiamento; implementação de prioridades na pesquisa; internacionalização; ampliar acesso ao conhecimento internacional; estimular a competitividade comercial e industrial e promover o país como nação líder em inovação tecnológica.
O diretor informou que nos últimos dez anos, a Noruega financiou 60 projetos com universidades brasileiras, sendo 53% dos recursos destinados a pesquisas voltadas ao setor de petróleo. Além deste segmento de pesquisa, Unander destacou que há outras áreas com potencial para cooperação com o Brasil, como energias renováveis; pesquisa marinha; biocombustíveis e produção de alimentos.
Ministro no H2+2
O professor Segen Estefen, coordenador do Laboratório de Tecnologia Submarina (LTS) da Coppe, lembrou que Brasil e Noruega já possuem ligações fortes na pesquisa em engenharia submarina e que a cooperação internacional pode prover soluções para a indústria offshore.
"Considerando a cotação do barril (de petróleo) abaixo dos 50 dólares, é preciso reduzir drasticamente os custos de exploração e produção offshore", explicou o professor, que acrescentou que a Coppe tem trabalhado em inovações, como a otimização de arranjos submarinos e a redução do número de estruturas flutuantes, para que a exploração em grandes profundidades tenha custos mais competitivos.
Ao final, Haugstad e a comitiva norueguesa foram ciceroneados pelo professor da Coppe e ex-reitor da UFRJ, Carlos Levi, em visita ao LabOceano, laboratório da Coppe que possui o mais profundo tanque de ensaios do mundo. O trajeto ao Parque Tecnológico da UFRJ, onde está localizado o laboratório, foi feito a bordo do H2 + 2, o ônibus híbrido (a hidrogênio e eletricidade) desenvolvido pela Coppe.

Fonte: Planeta COPPE


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